Aro 32 é Tendência ou Marketing? Shimano Fest 2026 e o Mercado
Entenda se o aro 32 é uma evolução real ou apenas modismo, o que apareceu no Shimano Fest 2026, e por que o tamanho pode ajudar ciclistas muito altos.
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8/31/20264 min read


Aro 32: Tendência de Verdade ou Só Marketing?
Aro 32 virou assunto quente em 2026, e depois de acompanhar o que rolou no Shimano Fest e pesquisar bastante sobre o assunto, cheguei numa conclusão que quero compartilhar aqui: depende muito de quem está fazendo. Tem marca grande com projeto sério por trás, e tem marca pequena claramente entrando na onda só pra não ficar de fora, sem o recurso técnico pra fazer isso direito. Vou te mostrar os dois lados.
Um pouco de contexto: como chegamos até aqui
A história do tamanho de roda na bike não é nova. Aro 26 dominou os anos 90, aro 27,5 ganhou força a partir de 2012, e aro 29 se consolidou como padrão de mercado na década seguinte. Cada transição foi gradual, exigiu ajuste de geometria, suspensão e componentes, e levou anos até virar maioria nas prateleiras.
Aro 32 é a próxima dessas transições, mas ainda em estágio bem inicial. A UCI liberou oficialmente o uso desse diâmetro no XCO a partir de 2026, sem teto de tamanho, depois de anos de especulação desde que a Maxxis mostrou um protótipo de pneu 32×2.40 num salão em Taipei. O suíço Joshua Keller já subiu ao pódio de uma etapa de Copa do Mundo em cima de aro 32, e na Unbound Gravel XL de 2026, Robin Gemperle venceu a prova de 560km rodando justamente nesse tamanho de roda, num protótipo da Scott.
Por que existe pressão pra esse tamanho: a questão da altura
Um dos motivos técnicos mais sérios por trás do aro 32 (e não só modismo) é resolver um problema antigo pra ciclistas muito altos. Em bikes com geometria pensada pra quadros grandes, o aro 29 tradicional cria desproporção: o quadro precisa ser alto, mas a roda continua do mesmo tamanho de quem tem 1,60m, o que gera problema de sobreposição do pé com a roda dianteira (toe overlap) e uma geometria que nunca fica perfeitamente proporcional pro ciclista alto. Aro 32 resolve isso ao escalar a roda junto com o quadro, mantendo a proporção certa. Não é à toa que um dos projetos mais comentados no tema é o Baum DBM 32, apresentado especificamente como solução de geometria pra ciclistas altos.
O que apareceu no Shimano Fest 2026
O maior festival de bicicleta da América Latina, realizado em agosto de 2026 em São Paulo, também recebeu essa conversa. No estande da Wip, distribuidora de peças, os visitantes puderam conferir os pneus Maxxis Aspen 32×2.40 e Aspen ST 32×2.15, já montados em aro de fabricação nacional. A Audax, marca do Grupo Claudino com fábrica em Manaus, apresentou o modelo Auge 32, entrando de vez nessa conversa dentro do mercado brasileiro.
O ponto que percebi: recurso técnico real x "fazer por fazer"
Aqui entra minha observação depois de acompanhar tudo isso. Existe uma diferença grande entre marcas que estão de fato desenvolvendo o aro 32 com engenharia por trás, testando geometria, suspensão compatível e validando em competição, e marcas que só lançaram um modelo pra dizer que também têm aro 32 no catálogo.
A Scott é um exemplo do primeiro grupo. O protótipo Scott Addict Gravel em aro 32 não foi só vitrine, ele venceu de verdade uma prova brutal de 560km, o que exige que a engenharia funcione sob estresse real. Fabricantes de gravel de marcas grandes também já mostram projetos consistentes nesse tamanho, não só um quadro genérico com roda maior encaixada.
Já entre marcas menores, inclusive algumas brasileiras, o que dá pra perceber é um movimento mais de acompanhar a tendência do que de resolver um problema real de engenharia. Isso não é exclusividade do Brasil, aliás. Na última Eurobike, fabricantes menores como a Faction Bike Studio expuseram protótipos de aro 32, e a própria imprensa especializada já vem alertando que as primeiras gerações de bikes nesse tamanho tendem a ser "imaturas, pesadas e mal resolvidas", compradas majoritariamente por quem gosta de experimentar tecnologia nova, não pelo ganho de performance ainda consolidado.
Tabela comparativa da evolução dos aros



O que dizem em discussões sobre o assunto
Uma preocupação que aparece com frequência entre analistas de mercado e lojistas é que o aro 32 pode gerar instabilidade nas vendas no curto prazo, já que o consumidor fica em dúvida se vale comprar uma bike aro 29 agora ou esperar o aro 32 amadurecer, um receio de obsolescência que trava decisão de compra. Isso reforça bem a ideia de que ainda estamos na fase inicial e barulhenta dessa transição, parecida com o que aconteceu quando aro 29 começou a aparecer e muita gente teve dúvida se valia a pena migrar do 26.
Perguntas frequentes
Vale a pena comprar uma bike aro 32 agora? Pra maioria dos ciclistas, ainda não. Estamos na fase inicial, com poucos modelos realmente maduros e suporte de peças limitado. Vale mais como curiosidade de quem gosta de tecnologia nova do que como decisão de compra pra uso diário.
Aro 32 vai substituir o aro 29? É cedo pra afirmar isso. Transições de tamanho de roda no ciclismo levam anos pra se consolidar, e o aro 29 ainda é amplamente suportado por toda a indústria.
Por que ciclistas muito altos se beneficiam do aro 32? Porque a proporção entre quadro grande e roda maior evita problemas de geometria, como sobreposição do pé com a roda na curva, comum em quadros muito altos montados com aro 29.
Marcas brasileiras já vendem bike aro 32 pronta pra comprar? Já existem lançamentos anunciados, como o modelo Auge 32 da Audax, apresentado no Shimano Fest 2026, mas a disponibilidade e maturidade do sistema completo (suspensão, pneu, aro) ainda está em fase inicial no mercado nacional.